graffiti

2 Artistas Negros que retratam o Negro

Conheça dois artistas visuais brasileiros que representam o Negro nos muros do Brasil e do Mundo.
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Desde pequena me lembro de ver quadros como Monalisa (Leonardo da Vinci), O Nascimento de Vênus (Sandro Botticelli) e As meninas (Diego Velázquez) na maioria das aulas de educação artística ninguém retratava uma pessoa negra como eu. A Tarsila que pintou “A Negra” me deixava um pouco chateada por ver pinturas perfeitas de pessoas brancas e ver a pintura de uma negra “abstrata e distorcida” como eu a via quando criança/adolescente, também era decepcionante em “As meninas” só haver meninas brancas, eu não poderia me ver em nenhuma delas.

A representatividade é importante para que nós possamos nos ver como iguais e como pessoas que podem conquistar o que quiserem assim como outra qualquer, sem a representatividade temos a tendência de nos frustrarmos, afinal como podemos nos identificar e nos aceitar sendo vistos em filmes, series, documentários e novelas como ladrões, empregadas e malandros? Ainda no século em que estamos é difícil encontrar uma figura boa em um personagem negro, pior ainda uma figura negra sendo a “principal” da história.

A representação dos negros nas artes brasileiras em geral (literatura, pintura, teatro, cinema, música popular, etc ) deixa muito a desejar. Um dos questionamentos mais freqüentes feitos pelos afro-brasileiros é que não são representados como personagens individualizados e profundos, mas apenas como arquétipos e estereótipos. Observasse que a imagem do negro , muitas das vezes, é apresentada de maneira superficial, estereotipada, ou ainda, é pautada na depreciação, minimização ou negação existencial.

Cerca 54%  da população brasileira é formada por negros e mestiços e mesmo tendo grande influência na cultura nacional, sua participação social, econômica e política ainda é menor do que a de outras etnias. A grande maioria dos negros brasileiros possui baixa renda e enfrenta o preconceito no mercado de trabalho, convive com a perseguição policial, é explorada com baixos salários e muitas vezes acaba fazendo parte do acervo de “piadas” em círculos sociais. É uma herança cultural que a Lei Áurea de l888 não conseguiu abolir da sociedade brasileira, motivo de muita polêmica, visto que grande parte da nossa sociedade não admite ser racista.

O conflito racial no Brasil não é aberto como em outros países, o que impede que muitos negros se identifiquem com sua própria negritude e lutem por seus direitos através de uma ação política eficaz e consciente. A conscientização da negritude brasileira está se materializando à medida que os negros conquistam maior poder aquisitivo, representando um nicho de consumidores importantes ao sistema capitalista, ao mesmo tempo em que disputam espaços sociais anteriormente pertencentes exclusivamente aos brancos.

Falando sobre Arte no Espaço Público. No Brasil, temos muitos escritores de graffiti e artistas urbanos com muito talento, porém não temos muitas representações do negro na arte e nos muros públicos.  Por isso gostaríamos de valorizar e divulgar dois artistas negros que retratam o negro e mostram em suas artes a voz e representatividade que precisamos.

Que as futuras crianças do nosso país possam abrir um livro de artes e ver a arte de um negro ou conhecer a história de um artista negro.  Que a criança do bairro possa se inspirar ao ver a imagem positiva do negro “graffitado” na parede do bairro ou mesmo do centro da cidade. Que um dia possa existir representação visual e conceitual de todas a etnias na arte e cultura. Que um dia possa existir um equilíbrio de valores, poder e bens em nossa sociedade. E que um dia os padrões de beleza da mídia  ou de todas as comunicações de massa sejam multiculturais.

Somos todos lindos e fortes…. essa publicação não tem intuito de menosprezar nenhuma etnia, pelo contrário só queremos dar voz, igualdade e existência para as menos favorecidas e sem espaço na mídia. Somos todos iguais, somos uma só voz a voz dos Seres humanos.

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Zéh Palito

Zéh Palito -28 anos,  é um artista visual nascido em Limeira-SP. Formado em Design e  Artes Plásticas, começou a se expressar pelos muros do espaço público  em 2001.  Seu trabalho retrata a interação do ser humano com os animais e a natureza. O ser humano em sua arte é retratado principalmente pela figura do negro, o índio e o asiático, trazendo para sociedade um olhar diferente sobre as minorias étnicas e culturas excluídas da mídia de massa.

Sua ultima série de pinturas conceituais dá voz, força e beleza ao negro. Serie chamada “NEGUS” palavra que deriva da antiga raiz semítica do Egito. N-G-R que significa “Deus” e termo usado pelo antigo estado monárquico da Etiópia que significa “Rei”.

Zéh Palito estudou desenvolvimento social nos Estados Unidos e foi voluntário na África Zambia.  Seu trabalho já foi exposto em galerias e muros de diversos países como. Argentina, Alemanha, França, Coréia do Sul, Espanha, Chile, Vietnã, Malásia, Polônia e Estados Unidos.

| Facebook Zeh Palito | Instagram Zeh Palito | Flickr Zeh Palito |

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Criola

Criola- 24 anos,  é uma artista visual mineira nascida em Belo Horizonte na comunidade do Morro São Lucas.  Formada em Design de Moda pela Belas Artes de Minas Gerais. Começou a pintar no espaço público em 2012.

Após sofrer preconceitos por ser mulher e negra, Criola viu na arte urbana uma forma de expressar sua resistência a sociedade. Seu projeto intitulado “ORI” que significa cabeça em Ioruba (um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental) tem em suas pinturas negras com traços maravilhosos.

Criola tem como referencias principais a diversidade cultural e a flora do Brasil, ela retrata o negro, das rezas e das lendas urbanas. Sua arte e  sua postura como pessoa são marcantes. Uma artista que nos mostra em alto e bom som a voz de varias mulheres com uma abordagem forte, linda e direta do negro e o feminismo.

Facebook Criola | Instagram Criola |

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“Street Art Brasil Valorizando Artistas Locais”
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Street Art Brasil | brasilstreetart@gmail.com

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Texto por : O Negro e as Artes, Sarah Santos e Street Art Brasil

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30 Brazilian Women Street Artist you should know

 Watch Out for these street artists in 2016

 

Put these hopefuls on your radar this year. These girls are rocking the streets.

Allow us to introduce 30 amazing female street artists we choose.

There are certainly more brazilian women street artists to know and love. But here are some of the most exciting RIGHT NOW.

 

 

 

1. Magrela

1-Magrelahttps://www.facebook.com/magrela.mag/?fref=ts

2. Criola

2- Criolahttps://www.facebook.com/criolagraff/?fref=ts

 

3. Panmela Castro

3-Panmela Castrohttp://www.panmelacastro.com/

 

4.-Tereza De Quinta (Acidum Project)

4-Tereza De Quinta (Acidum Project)https://www.instagram.com/terezadequinta/

 

5.-Tikka

5-Tikkahttps://www.facebook.com/tikkamezsaros/?fref=ts

 

6.-Minhau

6-Minhauhttps://www.facebook.com/minhau.fabricadegatos/?fref=ts

 

7.-Nina Pandolfo

7-Nina Pandolfohttps://www.facebook.com/NinaPandolfoOficial/timeline

 

8.- Tarsila Schubert

8- Tarsila Schuberthttp://www.tarsilaschubert.net/

 

9.- Lygia (Alto Contraste)

9- Livia (Alto Contraste)https://www.flickr.com/photos/altocontraste

10.- Bolinho

10-Bolinhohttps://www.facebook.com/bolinhobolinho/?fref=ts

 

11.- Ju Violeta

11-Ju Violetahttp://juvioleta.tumblr.com/

 

12.- Waleska Nomura
12- Wa

http://www.waleska.co.uk/

 

13.- Jana Joana

13- Jana Joanahttps://www.facebook.com/Jana-Joana-584462414900928/?fref=ts

 

14.- Grazie Gra

14-Grazie Grahttps://www.facebook.com/grazieadioart?fref=ts

 

15.- Nina Moraes
15- Nina Moraes

https://www.facebook.com/ninafernandesdemoraes/?fref=ts

 

16.- Simone Siss

16-Simone Sisshttp://www.siss1.com.br/

17.- Katia Suzue

17- Katia Suzuehttp://www.flickr.com/suzue

 

18.- Ananda Nahu

18- Ananda Nahuhttps://www.facebook.com/AnandaNahuBrazil/?fref=ts

 

19.- Karina de Toledo “Kot”
19- Kot

https://www.instagram.com/kot.sp/

 

20.- Joana Cesar

20-Joana Cesarhttps://www.facebook.com/joana.cesar.7

 

21.- Luna Buschinelli

21-Luna Buschinellihttp://www.lunabuschinelli.com.br

 

22.- Lelê Paes

22-Lelê Paeshttps://www.facebook.com/lelepaes/?fref=ts

 

23.- Paula Plim

23-Plimhttps://www.facebook.com/plim.paula/?fref=ts

 

24.- Sinhá

24-Sinháhttp://sinhacrua.tumblr.com/

 

25.- Lunab

25-Lunabhttps://www.instagram.com/lunab__/

 

26.- Thais Ueda “Hana Bi”

26-Hana Bihttp://www.thaisueda.com/

 

27.-Lola Cauchick
27-Lola Cauchick

https://www.facebook.com/corujex

 

28.-Clara Valente

28-Clara Valentehttps://www.instagram.com/clara8valente/

 

29.-Renata Maniassi

29-Renata Maniassihttp://renatamaniassi.tumblr.com/

 

 

30.-Mari Mats

30-Mari Matshttps://www.instagram.com/mari_mats/

 

 

+++++PLUS

 

Mado Lopez

30-Madohttps://www.instagram.com/madolpz/

 

Mizú

Mizúwww.ericamizutani.com.br

 

Débora Auni

29-Débora Aunihttps://www.instagram.com/aunivandalghosts/

 

Lídia Viber

lidia viberhttps://www.instagram.com/lidiaviber/

 

AfroGrafiteiras

Afrografiteirashttps://www.facebook.com/afrografiteiras/?fref=ts

 

 

The criteria we used for choose these 30 female street artists. It simple, who is more active on the streets. Who is doing more murals and street pieces not related to commercial works or brands.

We would like to promote those artists who are working like independent on the streets and not only on canvas, events, and commission walls. Of course other list criteria we used to choose these street artist is the style. We selected female street artist who have more unique style. Wich are easier to be recognized among others.

Let us know your favorites in the comments.

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https://www.facebook.com/brazilstreetart

“THE 30 BEST MURALS OF 2015”

Our list made only by Brazilian Street Artists.

2015 it was a good year for Street Art in Brazil. We had so many good festivals, events and projects just  like “O.bra festival”, “Art Rua 2015”, “ X Semana Fernando Furlanetto”, “Festival Concreto”,  “Goiás em Cores”, “Além da Rua” and “Telas Urbanas”. All these festivals and projects left us big beautiful buildings covered with colors and amazing murals in many different locations at Brazil. We hope 2016 can be good as 2015 or even better.

Because Street Art ignites changes. We believe Street Art can transform places, individuals, communities and institutions. It stimulates dialogue about critical issues, and builds bridges of connection and understanding. That’s all about giving back to a community or to the city through creativity and art.

The criteria we used for choose these 30 murals its simple, any mural is related to commercial works or brands. The thing that stands out in all of the “best murals” that went up is the concept, the size, the placement and the original style.

Most artists can paint a beautiful and colorful mural, but what makes an astounding street artist and mural is the ability to create a unique vision, to transform the landscape, not only by colors but as well with message, ideas and concept. That makes people change they daily life thought the murals that can be seen at the public space.

We don’t want to say who is “best or better” by this list. Numbers have no influence  as well. We only want to promote “Street Art” made by brazilian artists. As we can see there is not many website and blogs that promote or focus more on Street Art from Brazil. But there is many artists working hard on the streets right here.

 

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1. Nunca

1-Nunca
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2. Rimon Guimarães

2-Rimon Guimarães
https://www.flickr.com/rimon

3. Cena 7

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4. Paulo Ito

4-Paulo Ito
http://www.flickr.com/pauloito

5. Zéh Palito

cdhttps://www.flickr.com/zehpalito

6. Alex Senna

6- Alex Senna
https://www.facebook.com/senna.alex/?fref=ts

7. Bicicleta Sem Freio

7-Bicicleta Sem Freio
https://www.bicicletasemfreio.com

8. Enivo

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https://www.flickr.com/enivo

9. Magrela

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http://www.magcrua.blogspot.com.br/

10. Tinho + Carlos Vergara

10-Tinho + Carlos Vergara
https://www.facebook.com/tinho23sp/?fref=ts http://www.carlosvergara.art.br/pt/

11.  Acidum Project

11-acidum projecthttps://www.facebook.com/acidumproject/?fref=ts

12. Leonardo Smania

12- Leonardo Smania
https://www.facebook.com/leonardo.smania?pnref=story

13. Thiago Toes

13-Toes
https://www.facebook.com/toesthiago/?fref=ts

14. Ramon Martins

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http://www.ramonmartins.com

15. Toz

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https://www.facebook.com/tozoficial/?fref=ts

16. Vitché + Jana Joana

16-Vitché + Jana Joana
https://www.facebook.com/VitcheBrazil/?fref=ts
https://www.facebook.com/Jana-Joana-584462414900928/?fref=ts

17. L7m

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https://www.facebook.com/Streetart.L7m/?fref=ts

18. Rafael Hayashi

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http://www.rahayashi.com/

19. Ethos

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http://www.claudioethos.com.br

20. Mateus Bailon

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http://www.mateusbailon.blogspot.com.br

21. Treco

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https://www.flickr.com/treco

22. Criola

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https://www.facebook.com/criolagraff/?fref=ts&ref=br_tf

23. Wes Gama

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https://www.facebook.com/wesgamabarroso

24. Ricardo AKN + Alto Contraste

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http://www.ricardoakn.com/
https://www.flickr.com/altocontraste

25. Bozó

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https://www.facebook.com/boso.bacamarte

26. Apolo Torres

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http://www.apolotorres.com

27. Fredone

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https://www.flickr.com/fredone-fone

28.  Arlin Graff

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http://cargocollective.com/arlingraff

29. Leiga

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https://www.sexysujo.com.br

30. William Mophos

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http://www.williamophos.com.br

 

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Eduardo Fonseca

Eduardo Fonseca
https://www.flickr.com/photos/caixadodudu/

Muretz

Muretz
http://www.muretz.com

Medo

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Raul Zito

Raul Zitohttp://cargocollective.com/raulzito

Thiago Alvim + Gabriel Kieling

28-Thiago Alvim + Gabriel Kielinghttp://www.flickr.com/melek_arte
http://www.gabrielkieling.com.br

Dinho Bento
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https://www.facebook.com/artdinhobento

 Daniel Melim

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https://www.melim.art.br

São

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http://www.saosao.com.br/

Panmela Castro

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http://www.panmelacastro.com/

Feik

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https://www.facebook.com/feik.graffiti.arte/?fref=ts

OBS:  We didn’t choose any mural of individuals or label then as a “street artists” for those who are self proclaim to be “Graffiti Writers” saying that what they do is Graffiti and not Street Art. Because there are a few names who are very active on the streets, and have a respected name and style that we would make they art to be included on our list.

So if your favorite “street artist” who is really famous has no mural included on this list. Before you criticize this list make sure to know the difference between Graffiti  and  Street Art . Also if your favorite “street artist” is not just painting at vila madalena, doing commercial work, painting only for events, brands, indoor and commission walls .

This list is made it by people who really love Street Art and know what is really going on in the streets of Brazil.

 

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Entrevista (Paulo Ito) | Street Art Brazil

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Paulo Ito é um artista urbano, que vem chamando cada vez mais atenção e ganhando mais reconhecimento e respeito a partir de cada obra que ele cria pelas ruas do Brasil. Sim, Paulo Ito é aquele artista que criou a primeira viral da Copa do Mundo no Brasil, a pintura do menino com fome e que não tem comida, mais só uma bola de futebol. A imagem ficou muito famosa nas redes sociais.

Porém Paulo Ito é muito mais do que uma imagem viral. Seu trabalho tem um grande destaque pela critica social que carrega. Cada intervenção dele aborda um tema e cada tema tem uma mensagem, há qual sempre existe um humor acido por traz das cores e do seu traço inconfundível. Sempre informado sobre problemas sociais que acontecem no Brasil em sua arte pode se encontrar mensagens sobre política, transporte público, desigualdade social, racismo, moradia, meio ambiente, amor, dinheiro, turismo sexual etc.

Paulo Ito não é o tipo de artista urbano que está interessado em apenas colorir a cidade ou que faz uma intervenção sem um significado ou alguma mensagem pensando de forma coletiva. “Procuro ser crítico ao máximo, pois quero aproveitar a liberdade, que somente pintar na rua proporciona. Nela, estamos livres de leis de mercado e curadorias. O trabalho vai diretamente para o público. Isso não tem preço.”

Sua arte é instigante e provoca reflexão, inquietação, causa ou desperta revolta. Paulo Ito é o tipo de artista urbano que usa a cidade como suporte a fim de expressar suas idéias dialogando não só com outros artistas urbanos ou escritores de Graffiti mais sim com o público em geral. “Colorir o cinza” pode fazer sentido, embora seja uma idéia que já virou um chavão e que quem se interessa um pouco por Graffiti adora ouvir e que a mídia adora repetir. Isso ajuda e é importante, mas não muda efetivamente as coisas num sentido estrutural. Tem uma frase do Mário Quintana que ilustra o que penso. “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”.

Nós do “Street Art Brasil” nunca gostamos de comparar artistas ou dizer quem é melhor ou pior, pois em termos de arte não existe melhor e todos são únicos e diferentes. Porém se a Itália tem o “Blu” e Inglaterra tem o “Banksy” nós o Brasil temos o “Paulo Ito”.

Sim nós o Brasil temos Paulo Ito, sem grandes comparações com estes ícones do “Street Art” mundial, sua arte não é reproduzida em grande escala como os murais gigantescos do “Blu” e não tem uma mensagem de entendimento universal falando sobre problemas e acontecimentos mundiais como o trabalho do “Banksy”, Porém Paulo Ito usa sua arte para expressar e falar sobre os problemas sociais que acontecem no “nosso quintal” o Brasil, assim acreditamos que o trabalho do Paulo Ito tem muita força e valorizamos muito tudo o que ele faz e a nosso ver Paulo Ito já é “para nós” e pode vir a ser “para o mundo” um dos grandes ícones do “Street Art” no Brasil.

Com muito prazer e orgulho compartilhamos com você está entrevista com Paulo Ito um artista de uma mente brilhante criativa e inovadora.

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1- Quem é o Paulo Ito ?

Eu ia dizer que é um cara comum. Mas dizem, mesmo que eu não concorde que sou um tipo muito estranho.

2- Quando você começou a utilizar o espaço público através da pichação, graffiti ou street art ?

Comecei em 1997 dentro de um campus e em 2000 na rua.

3- Quais são suas principais influências – na arte e de outras formas?

São muitas, nem sempre de dentro da arte de rua, mas também alguns pintores de antigamente, quadrinistas, cartunistas. Por exemplo: Leon Ferrari, Lourenço Mutarelli, Quino, Carlos Nine, Jota Carlos. Músicos também como Calle 13, Victor Jara, Racionais MCs etc…

4- Como você poderia descrever ou definir seu estilo?

Como conseqüência e não como meta, pois não busco um estilo em si, que sirva pras pessoas identificarem meu trabalho e com isso me adicionarem no facebook, e sim um estilo que possa servir às minhas ideias e ajudar a comunica-las.

5- Existe uma mensagem na sua arte? Que tipo de mensagem ou emoções você busca oferecer? Caso queira gerar um diálogo, o que você gostaria de “discutir” com o seu público?

Sim, não faço mais pinturas que signifiquem apenas a pintura em si, isso não me interessa mais. Anos atrás eu dizia: gosto de arte que me emocione. Hoje procuro fazer algo que pegue no emocional, no humor, que incomode, que faça pensar. Eu quero “discutir” sobre tudo. Não tem um tema que eu não queira falar, as vezes preciso mostrar pra alguém uma ideia pois dentro da cabeça do outro posso ir um pouco longe demais especialmente quando pinto em um lugar que culturalmente não sou familiarizado. Fiz um rafe (esboço) pra uma pintura no exterior que tinha a imagem de um antigo líder político em certo contexto e uma amiga nativa de lá apontou que a imagem estava totalmente fora de tom. Gosto muito da ideia, mas preferi confiar nessa amiga pois não entendo com clareza como esse tema hoje pode ser abordado de maneira minimamente aceitável.

Paulo ito Paulo ito paulo ito Paulo Ito

6- Por que você utiliza o espaço público e paredes como suporte? Existe uma relação entre o suporte e as idéias com as quais você trabalha?

Porque assim como ninguém vai tatuar meus trabalhos também não vão por em cima da lareira. Então me resta a rua, lá tenho a liberdade que assusta instituições, mercado de arte e curadores.

7- Artistas urbanos e escritores de graffiti em geral não pensam muito sobre por que eles trabalham no espaço público e aspectos da arte pública em geral. Qual o papel que a arte pública deveria ou desempenha na sociedade?

O que a mídia e uma boa parte de artistas vendem para o grande público é que a arte de rua serve pra embelezar a cidade como antidoto ao cinza. Acho importante esse lado afinal a arte de rua carrega em certos momentos uma aura um pouco naif, mas é importante que as pessoas e artistas entendam que não é só isso e o potencial transformador que a arte de rua carrega.

8- A pessoa que usa o espaço público como meio e suporte, deveria se preocupar com outras pessoas que também utilizam o espaço público? Ou você acredita que cada um pode fazer o que bem entender, pois o espaço é publico e é de todos?

O Brasil é um pais com pessoas muito tolerantes então tem bastante liberdade pra pintar diversos temas. Mas acho que cabe ao artista saber o limite do ofensivo em sua obra. Eu mesmo procuro não atacar ninguém, mas a carapuça está ai pra ser vestida.

9- De todos as exposições ou projetos que você já fez, qual foi o mais gratificante?

Espero que o próximo. Mas o do garoto faminto com a bola sem dúvida foi o que mais me trouxe reconhecimento, ainda que não muito de forma palpável. Provavelmente eu nunca mais farei um MEME de tamanhas proporções, mas foi um passo importante e q de alguma forma facilita a caminhada. Agora acho que ser gratificante não é o mais importante. Fazer pinturas com motivos redondinhos é muito legal de fazer e dá satisfação instantânea. Ter que pintar algo muito detalhado pra passar alguma ideia pode ser muito chato de fazer e eventualmente poucos podem entender algum trabalho ou não ter nenhuma ou pouca repercussão. Isso não é nada gratificante, mas o artista tem a obrigação de tentar mesmo assim. Eu ia citar o Van Gogh acima nas minhas influências mas acabei falando dele só aqui: sua carreira foi um fracasso absoluto, e de fato em certo momento ele desistiu dela e da própria vida, mas até então não teve praticamente nenhuma recompensa ou “gratificação” e continuou pintando, de maneira solitária. É loucura isso, mas eu e muita gente com certeza fica feliz que ele não tenha desistido tão cedo.

10- Qual seria o seu projeto dos sonhos? Quero dizer tema, local, tamanho ?

Tenho o sonho de pintar empena. E tenho sentido na pele que não é nada fácil. Demanda muito esforço pra qualquer artista e um pouco mais pra artistas interessados em pintar algo além não apenas estético e inofensivo, ao mesmo tempo, tenho falado com moradores de prédios e sentido que eles gostam muito das minhas propostas, quem não gosta são as grandes corporações que obviamente não apoiarão nada nesse sentido. Felizmente é possível não depender deles. Digo que tem três tipos de artistas pra pintar empena (prédio): um que recebe uma bolada, um que não recebe nada e o que paga pra pintar. Provavelmente sou desse ultimo tipo. Mas não reclamo (muito) jejejejejejeje é um preço que pago, fruto de minhas escolhas.

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Conheça mais sobre o trabalho do Paulo Ito

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“Street Art Brasil Valorizando Artistas Locais”

Street Art Brasil | brasilstreetart@gmail.com

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Graffiti e Street Art

(As diferenças do Graffiti e Street Art)

Uma discussão: Sobre o conceito e não apenas a estética do Graffiti e Street Art.eagvead

 

O Graffiti e Street Art são freqüentemente confundidos um com o outro. Ambos são movimentos artísticos subversivos onde o trabalho é exibido em paredes no espaço público, em vez de uma galeria ou espaço interno. Tanto o Graffiti e Street Art estão intimamente relacionados a movimentos de arte contemporânea, no entanto, eles se diferem em termos de história, intenção, técnica, função, material e público.

A principal diferença entre o Graffiti e Street Art é a intenção. O escritor de graffiti não está tão interessado no público em geral compreender a sua “obra de arte” ou seu “ato vandal”. Na maioria dos casos o mais importante é próprio ato de fazer, ele faz por instinto próprio, algo que vem desde a pré-história em que o ser humano habitava cavernas e já tinha a necessidade de escrever nas paredes. O escritor de graffiti faz por amor ao ato do Graffiti de usar o espaço público e por toda a ideologia que o Graffiti carrega consigo.

No caso de alguns estilos de Graffiti que tem como base as letras e escrita como “Wild style” e “Throw-up” muitas vezes apenas outros escritores de graffiti podem entender ou decifrar o que está escrito. E até mesmo apreciar o estilo da letra, técnica, paleta de cores ou espaço que a pintura foi realizada se é de difícil acesso ou grande movimentação de pessoas. Todo esse universo peculiar ou essas ”coisas” fazem parte do Graffiti que de certa forma tem seu próprio publico como maior parte da função e intenção.

O Graffiti tem regras, materiais específicos , códigos, segredos, gírias, nomes, grupos, técnicas, uma longa história e um estilo que é facilmente reconhecível. Street Art, por outro lado não tem regras e não tem uma história longa igual a do Graffiti.

Street Art se difere principalmente por sua intenção e sua história têm evoluído de forma diferente e por diferentes razões. Até mesmo o material que são dos mais diversos exemplo como pincel, rolinho, stencil, azulejo, papel, projetor, computador, lápis, marcador, adesivo tudo isso faz parte do material do artista urbano no caso aqui que realiza a intervenção intitulada como Street Art. Já em termos de Graffiti quase sempre todo material é composto apenas por spray algo como 95%, não sendo 100% pois em alguns países os escritores de graffiti não usam somente spray para compor seu material utilizado para fazer o Graffiti.

Street art muitas vezes não precisa ou não tem uma assinatura, existem diversos artistas urbanos que não assinam seus trabalhos mais são facilmente reconhecidos pelo estilo de pintura ou próprio trabalho. Já o Graffiti que em muitos casos é uma assinatura ou para acompanhar seu ato “artístico” ou “vandalismo” tem uma assinatura no caso o “Tag”.

O “graffiti writer” ou escritor de graffiti realiza seu trabalho em espaço público, porém muitos deles não se preocupam como o público absorve sua intervenção, mesmo que o escritor de graffiti carregue uma ideologia, tenha um porque e um conceito, dependendo de como e onde a intervenção foi feita o publico em geral não consegue entender sua mensagem. Não que toda mensagem deva ser entendida, mais perante isso faz com que o Graffiti crie uma audiência diferente do Street Art. A grande maioria dos escritores de graffiti geralmente procuram se auto-expressar, descarregar algo em paredes públicas, falar através das paredes, ser voz na cidade, se impor para outros escritores de graffiti ou até mesmo fazer o mesmo ato de quando o Graffiti surgiu que foi de demarcar um território ou levar o nome de um escritor de graffiti ou grupo “crew” para diferentes lugares da cidade.

O “street artist” ou artista urbano também realiza seu trabalho em espaço público, porém a grande maioria quer que o público entenda seu trabalho, muitos fazem uma declaração obvia ou simples e querem deixar uma mensagem. O Graffiti também costuma deixar uma mensagem porém a grande maioria pode ser apenas entendida por outros escritores de graffiti ou a mensagem não é explicita, simples ou obvia que muitas vezes o sentido ou significado do trabalho é entendido apenas pelo próprio escritor de graffiti que criou. Mas também existem escritores de graffiti que para acompanhar seu “piece”, “personagem” ou “bomb” escrevem mensagens e textos com uma tipografia simples para a compreensão de todos.

O Graffiti e Street Art apesar de serem similares em alguns aspectos possuem um universo diferente. Está frase em inglês define de forma simples o que é Graffiti :

“If a piece is legal it can’t be Graffiti, Even if it’s in the street it would just be writing or art. Graffiti has to be vandalism/illegal. Whether you are an “artist” or a “bomber/writer”

Se um “piece” é feito de forma legal não é Graffiti. Mesmo que seja feito na rua em uma parede ele é apenas escritura ou arte. Graffiti tem que ser ilegal/vandalismo. Independente se você é um “artista” ou a “bomber/escritor”.

Ou seja se a intervenção foi feita perante autorização do proprietário da parede, ela não é um Graffiti ela é uma intervenção usando a linguagem visual ou técnicas do Graffiti, ou pode ser chamada de um mural, intervenção urbana ou até mesmo arte, mais não pode ser considerada um Graffiti segundo os conceitos básicos do Graffiti. Porque não basta apenas pegar alguns sprays pintar uma parede e dizer que fez um Graffiti ou se auto-rotular eu sou “Grafiteiro” termo também usado de forma equivocada o mais correto seria usar o termo “escritor de graffiti”.

Enfim mais Porque “STREET ART BRASIL”?

Porque o Graffiti não nasceu no Brasil e ele tem uma longa historia, ideologia e alguns conceitos básicos a serem seguidos ou no mínimo conhecidos e respeitados.

Existem algumas pessoas que usam os termos “Graffiti” e “Graffiti Art” como se existisse dois tipos de intervenção. Porém não é algo bem aceito perante aos escritores de graffiti que afirmam que o verdadeiro, único e real Graffiti é o Graffiti feito de forma ilegal e não o “Graffiti Art” termo criado por pessoas que pintam murais autorizados com intuito de diferenciar o “Graffiti Ilegal” do “Graffiti autorizado”, como se existissem dois tipos de Graffiti. Bom neste caso não queremos rotular ou afirmar que existe Graffiti e “Graffiti Art” , só falamos sobre a existência do termo e que algumas pessoas usam porém essa discussão é algo que de longa data e algo muito discutido entre as pessoas que fazem Graffiti independente do lugar, isso é algo que gera e gerou muita discussão em todos países do mundo em que há Graffiti.

Nós não acreditamos no termo “Graffiti Art” somente no Graffiti e nosso foco é mostrar um pouco da diferença do Graffiti e Street Art.

O Graffiti e Street Art também se diferenciam bastante pela questão de publico, o Graffiti geralmente tem seu próprio público e seus grupos termo usado no graffiti de “crew”. Muitas vezes existe uma competição e rivalidade entre outras “crew” (grupos). No caso o escritor de graffiti que é mais velho, que tem mais tempo fazendo Graffiti geralmente é mais renomado. E os escritores de graffiti que têm mais intervenções espalhadas pela cidade, por outros estados, países ou em lugares de maior perigo ou de maior visão tem mais respeito também perante outros escritores de graffiti. Diversos escritores de graffiti têm desavenças entre si o que faz com que alguns escritores não pintem com outros escritores de graffiti e o que gera de certa forma uma competição entre indivíduos ou “crew” (grupo) estimulando algo do tipo quem é que tem mais “roles“ pela cidade quem “bomba” os lugares mais inusitados.

O Street Art como é algo mais novo, com pouca historia ou regras, estilos, técnicas, geralmente não tem grupos e existe uma rivalidade menor entre os próprios artistas urbanos. Não está também relacionado com a quantidade mais com a mensagem que cada intervenção carrega. Mas como o Street Art tem uma grande aproximação com o individualismo ela acaba recebendo o lado egocêntrico da arte, onde alguns artistas precisam que seu ego seja alimentado.

Tanto o Graffiti quanto Street Art podem ter sua linguagem visual usadas para ser algo subversivo e protesto quanto para embelezar e deixar uma mensagem para as pessoas que utilizam o espaço publica. Ambas podem expor ódio e amor, questionar e reivindicar, cuidar e estragar.

Street Art por estar mais relacionada ao desenho e imagem tem uma capacidade de cativar as pessoas, como parte de sua experiência do dia-a-dia. Com o Graffiti, por estar mais relacionado com a escrita e as letras o público torna-se parte de algo mais pessoal e subversivo na maioria dos casos.

Ambas têm um ideal diferente, porém um papel importante em nossa sociedade, pois são intervenções indagadoras e muitas vezes fazem perguntas que as autoridades, governo, sistema e sociedade preferem não serem questionadas. Embora os movimentos sejam semelhantes em termos de espaço, Street Art e Graffiti cada um aqui é distinguido pela história, intenção, técnica, função, material e público.

 

 

Deixamos bem claro, não somos donos da verdade essas são apenas nossas opiniões baseadas em vivencias, leituras e experiências sobre o Graffiti e Street Art . Nossa opinião aqui exposta pode ser diferente de outras pessoas. Não queremos generalizar ou criar um estereótipo sobre os dois tipos de intervenção tanto é que durante o texto usamos as palavras, “ a grande maioria”, “geralmente”, “muitas vezes” em nenhum momento afirmamos como um total ou uma verdade absoluta.

Nosso intuito é apenas gerar algum tipo de informação, pois no Brasil não existe plataformas que discutam sobre isso ou mídias, redes sociais, artistas urbanos e escritores de graffiti de “grande nome” que discutam ou divulguem algo que não seja do seu próprio trabalho ou de seu circulo de amigos.

Queremos apenas discutir sobre um conceito e não apenas a estética do Graffiti e Street Art.

 

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