Entrevista (Paulo Ito) | Street Art Brazil

paulo ito

Paulo Ito é um artista urbano, que vem chamando cada vez mais atenção e ganhando mais reconhecimento e respeito a partir de cada obra que ele cria pelas ruas do Brasil. Sim, Paulo Ito é aquele artista que criou a primeira viral da Copa do Mundo no Brasil, a pintura do menino com fome e que não tem comida, mais só uma bola de futebol. A imagem ficou muito famosa nas redes sociais.

Porém Paulo Ito é muito mais do que uma imagem viral. Seu trabalho tem um grande destaque pela critica social que carrega. Cada intervenção dele aborda um tema e cada tema tem uma mensagem, há qual sempre existe um humor acido por traz das cores e do seu traço inconfundível. Sempre informado sobre problemas sociais que acontecem no Brasil em sua arte pode se encontrar mensagens sobre política, transporte público, desigualdade social, racismo, moradia, meio ambiente, amor, dinheiro, turismo sexual etc.

Paulo Ito não é o tipo de artista urbano que está interessado em apenas colorir a cidade ou que faz uma intervenção sem um significado ou alguma mensagem pensando de forma coletiva. “Procuro ser crítico ao máximo, pois quero aproveitar a liberdade, que somente pintar na rua proporciona. Nela, estamos livres de leis de mercado e curadorias. O trabalho vai diretamente para o público. Isso não tem preço.”

Sua arte é instigante e provoca reflexão, inquietação, causa ou desperta revolta. Paulo Ito é o tipo de artista urbano que usa a cidade como suporte a fim de expressar suas idéias dialogando não só com outros artistas urbanos ou escritores de Graffiti mais sim com o público em geral. “Colorir o cinza” pode fazer sentido, embora seja uma idéia que já virou um chavão e que quem se interessa um pouco por Graffiti adora ouvir e que a mídia adora repetir. Isso ajuda e é importante, mas não muda efetivamente as coisas num sentido estrutural. Tem uma frase do Mário Quintana que ilustra o que penso. “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”.

Nós do “Street Art Brasil” nunca gostamos de comparar artistas ou dizer quem é melhor ou pior, pois em termos de arte não existe melhor e todos são únicos e diferentes. Porém se a Itália tem o “Blu” e Inglaterra tem o “Banksy” nós o Brasil temos o “Paulo Ito”.

Sim nós o Brasil temos Paulo Ito, sem grandes comparações com estes ícones do “Street Art” mundial, sua arte não é reproduzida em grande escala como os murais gigantescos do “Blu” e não tem uma mensagem de entendimento universal falando sobre problemas e acontecimentos mundiais como o trabalho do “Banksy”, Porém Paulo Ito usa sua arte para expressar e falar sobre os problemas sociais que acontecem no “nosso quintal” o Brasil, assim acreditamos que o trabalho do Paulo Ito tem muita força e valorizamos muito tudo o que ele faz e a nosso ver Paulo Ito já é “para nós” e pode vir a ser “para o mundo” um dos grandes ícones do “Street Art” no Brasil.

Com muito prazer e orgulho compartilhamos com você está entrevista com Paulo Ito um artista de uma mente brilhante criativa e inovadora.

paulo ito paulo ito paulo ito

1- Quem é o Paulo Ito ?

Eu ia dizer que é um cara comum. Mas dizem, mesmo que eu não concorde que sou um tipo muito estranho.

2- Quando você começou a utilizar o espaço público através da pichação, graffiti ou street art ?

Comecei em 1997 dentro de um campus e em 2000 na rua.

3- Quais são suas principais influências – na arte e de outras formas?

São muitas, nem sempre de dentro da arte de rua, mas também alguns pintores de antigamente, quadrinistas, cartunistas. Por exemplo: Leon Ferrari, Lourenço Mutarelli, Quino, Carlos Nine, Jota Carlos. Músicos também como Calle 13, Victor Jara, Racionais MCs etc…

4- Como você poderia descrever ou definir seu estilo?

Como conseqüência e não como meta, pois não busco um estilo em si, que sirva pras pessoas identificarem meu trabalho e com isso me adicionarem no facebook, e sim um estilo que possa servir às minhas ideias e ajudar a comunica-las.

5- Existe uma mensagem na sua arte? Que tipo de mensagem ou emoções você busca oferecer? Caso queira gerar um diálogo, o que você gostaria de “discutir” com o seu público?

Sim, não faço mais pinturas que signifiquem apenas a pintura em si, isso não me interessa mais. Anos atrás eu dizia: gosto de arte que me emocione. Hoje procuro fazer algo que pegue no emocional, no humor, que incomode, que faça pensar. Eu quero “discutir” sobre tudo. Não tem um tema que eu não queira falar, as vezes preciso mostrar pra alguém uma ideia pois dentro da cabeça do outro posso ir um pouco longe demais especialmente quando pinto em um lugar que culturalmente não sou familiarizado. Fiz um rafe (esboço) pra uma pintura no exterior que tinha a imagem de um antigo líder político em certo contexto e uma amiga nativa de lá apontou que a imagem estava totalmente fora de tom. Gosto muito da ideia, mas preferi confiar nessa amiga pois não entendo com clareza como esse tema hoje pode ser abordado de maneira minimamente aceitável.

Paulo ito Paulo ito paulo ito Paulo Ito

6- Por que você utiliza o espaço público e paredes como suporte? Existe uma relação entre o suporte e as idéias com as quais você trabalha?

Porque assim como ninguém vai tatuar meus trabalhos também não vão por em cima da lareira. Então me resta a rua, lá tenho a liberdade que assusta instituições, mercado de arte e curadores.

7- Artistas urbanos e escritores de graffiti em geral não pensam muito sobre por que eles trabalham no espaço público e aspectos da arte pública em geral. Qual o papel que a arte pública deveria ou desempenha na sociedade?

O que a mídia e uma boa parte de artistas vendem para o grande público é que a arte de rua serve pra embelezar a cidade como antidoto ao cinza. Acho importante esse lado afinal a arte de rua carrega em certos momentos uma aura um pouco naif, mas é importante que as pessoas e artistas entendam que não é só isso e o potencial transformador que a arte de rua carrega.

8- A pessoa que usa o espaço público como meio e suporte, deveria se preocupar com outras pessoas que também utilizam o espaço público? Ou você acredita que cada um pode fazer o que bem entender, pois o espaço é publico e é de todos?

O Brasil é um pais com pessoas muito tolerantes então tem bastante liberdade pra pintar diversos temas. Mas acho que cabe ao artista saber o limite do ofensivo em sua obra. Eu mesmo procuro não atacar ninguém, mas a carapuça está ai pra ser vestida.

9- De todos as exposições ou projetos que você já fez, qual foi o mais gratificante?

Espero que o próximo. Mas o do garoto faminto com a bola sem dúvida foi o que mais me trouxe reconhecimento, ainda que não muito de forma palpável. Provavelmente eu nunca mais farei um MEME de tamanhas proporções, mas foi um passo importante e q de alguma forma facilita a caminhada. Agora acho que ser gratificante não é o mais importante. Fazer pinturas com motivos redondinhos é muito legal de fazer e dá satisfação instantânea. Ter que pintar algo muito detalhado pra passar alguma ideia pode ser muito chato de fazer e eventualmente poucos podem entender algum trabalho ou não ter nenhuma ou pouca repercussão. Isso não é nada gratificante, mas o artista tem a obrigação de tentar mesmo assim. Eu ia citar o Van Gogh acima nas minhas influências mas acabei falando dele só aqui: sua carreira foi um fracasso absoluto, e de fato em certo momento ele desistiu dela e da própria vida, mas até então não teve praticamente nenhuma recompensa ou “gratificação” e continuou pintando, de maneira solitária. É loucura isso, mas eu e muita gente com certeza fica feliz que ele não tenha desistido tão cedo.

10- Qual seria o seu projeto dos sonhos? Quero dizer tema, local, tamanho ?

Tenho o sonho de pintar empena. E tenho sentido na pele que não é nada fácil. Demanda muito esforço pra qualquer artista e um pouco mais pra artistas interessados em pintar algo além não apenas estético e inofensivo, ao mesmo tempo, tenho falado com moradores de prédios e sentido que eles gostam muito das minhas propostas, quem não gosta são as grandes corporações que obviamente não apoiarão nada nesse sentido. Felizmente é possível não depender deles. Digo que tem três tipos de artistas pra pintar empena (prédio): um que recebe uma bolada, um que não recebe nada e o que paga pra pintar. Provavelmente sou desse ultimo tipo. Mas não reclamo (muito) jejejejejejeje é um preço que pago, fruto de minhas escolhas.

6966553464_28aaa1b1bf_b 10467040_767294953321928_3302475034529334948_o 10495386_762429393808484_5477344349659349505_oPaulo ito 10258722_750887438296013_3967226832836348250_o 3744_464705490247544_1549954091_n 194493_442612752456818_1793542947_o 262636_456235237773427_1872407028_n 457652_390708467647247_1519109159_o 473871_411158645602229_1664976401_o 478256_470140343037392_921818122_o 480736_469724143079012_711836613_n 541278_447579531960140_1327889628_n 551645_436764866374940_1190445158_n 644754_434411156610311_1790205959_n 920153_550804058304353_993724889_o 1015680_672445356140222_1958027750_o 1071692_576585512392874_424481265_o 1276893_733848926666531_2864364140956666437_o 1277371_611437905574301_1598212383_o 1410870_648214658563292_862161782_o 1492302_630201957043420_261893158_o 1531889_658683020849789_1849887254_o 1656006_686331744751583_1180798329_npaulo ito 1796919_735348626516561_8144397332194768953_o

Conheça mais sobre o trabalho do Paulo Ito

http://www.facebook.com/pauloito8
http://www.flickr.com/photos/pauloito

“Street Art Brasil Valorizando Artistas Locais”

Street Art Brasil | brasilstreetart@gmail.com

https://www.facebook.com/brazilstreetart

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s